DICAS DE LEITURALivros infantisLivros para pais

10 poemas sobre a primavera para crianças

poemas sobre a primavera

Na primavera deveríamos ler todos os dias para nossos filhos. Na realidade, deveríamos ler todos os dias do ano, em todas as estações. Na estação das flores, no entanto, deveríamos sentar-nos na grama fresca, em meio às flores e ler com nossas crianças. Uma dica é ler para elas poemas sobre a primavera. Mostrar como os poetas conseguem descrever em seus versos a beleza dessa estação.

Compartilhe com seus filhos o amor pela literatura. Demonstre a eles como podemos conhecer mais do mundo através dos versos. Leia poemas que toquem a alma. Fizemos uma seleção de 10 poemas sobre a primavera para as crianças.

E, antes mesmo de que comece a ler esses bonitos poemas sobre a primavera, recomendamos uma publicação com muitos poemas infantis para leitura.

E, ainda, mais:

Poemas sobre a primavera para crianças

Primavera, Olavo Bilac

Ah! quem nos dera que isto, como outrora,
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
Que inda juntos pudéssemos agora
Ver o desabrochar da primavera!

Saíamos com os pássaros e a aurora.
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”

E esse corpo de rosa recendia,
E aos meus beijos de fogo palpitava,
Alquebrado de amor e de cansaço.

A alma da terra gorjeava e ria…
Nascia a primavera… E eu te levava,
Primavera de carne, pelo braço!

Boato da primavera

Boato  da Primavera, de Carlos Drummond de Andrade

Chegou a primavera? Que me contas!
Não reparei. Pois afinal de contas
nem uma flor a mais no meu jardim,
que aliás não existe, mas enfim
essa ideia de flor é tão teimosa,
que no asfalto costuma abrir a rosa
e põe na cuca menos jardinília
um jasmineiro verso de Cecília.
Como sabes, então, que ela está aí?
Foi notícia que trouxe um colibri
ou saiu em manchete no jornal?
Que boato mais bacana, mais genial,
esse da primavera? Então eu topo,
e no verso e na prosa, eis que galopo,
saio gritando a todos: Venham ver
a alma de tudo, verde, florescer!
Mesmo o que não tem alma? Pois é claro.
Na hora de mentir, meu São Genaro,
é preferível a mentira boa,
que o santo, lá no céu, rindo, perdoa,
e cria uma verdade provisória,
macia, mansa, meiga, meritória.
Olha tudo mudado: o passarinho
na careca do velho faz seu ninho.
O velho vira moço e na paquera
ele próprio é sinal de primavera.
Como beijam os brotos mais gostoso
ao pé do monumento de Barroso!
E todos se namoram. Tudo é amor
no Meier e na Rua do Ouvidor,
no Country, no boteco, Lapa e Urca,
à moda veneziana e à moda turca.
Os hippies, os quadrados, os reaças,
os festivos de esquerda, os boas-praças,
o mau-caráter (bom neste setembro)
e tanta gente mais que nem me lembro,
saem de primavera, e a vida é prímula
a tecnicolizar de cada rímula.
(Achaste a rima rica? Bem mais rico
é quem possui de doido-em-flor um tico.)
Já se entendem contrários, já se anula
o que antes era ódio na medula.
O gato beija o rato; o elefante
dança fora do circo, e é mais galante
entre homens e bichos e mulheres
que indagam positivos malmequeres.
E prima, é primavera. Pelo espaço,
o tempo nos vai dando aquele abraço.
E aqui termino, que termina o fato
surgido, azul, da terra do boato.

Canção da Primavera, de Mario Quintana

Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

Encantação da primavera, de Mario Quintana

Brotam brotinhos na tarde feita
Só de suspiros:
O amor é um vírus…
Apenas o general de bronze continua de bronze!
O vento desrespeita todos os sinais do tráfego.
Velhinhos de gravata borboleta
Sobem e descem como autogiros.
O guarda do trânsito virou catavento.
As mulheres são de todas as cores como esses
manequins expostos nas vitrinas,
E onde é que estão, me conta, as tuas esperanças
mortas?!
Lá vão elas tão lindas – vestidas de verde
Como Ofélias levadas pelos rios em fora
Enquanto eu nem me atrevo a olhar para o alto:
repara se não é
O Espírito Santo que vem descendo em lento voo
E até ele, até Ele, deve estar, assim – todo irisado
Como os olhos das crianças, como as maravilhosas
bolinhas de gude!
Não… Deve ser algum disco voador, apenas…
Ou então, uma dessas boas Irmãs de largas toucas
brancas,
As mãos ao peito,
E que no céu deslizam como planadores.
Mas olha: mansamente lÁ vem atravessando a rua
Uma linda avozinha com sua neta pela mão.
(Uma avozinha consigo mesma pela mão!)
Bem… depois disto.., não me perguntes nada, nada…

A Primavera mora no País do Agora!

** ***
Rãzinha verde, tu nem sabes quanto
foi o bem que eu te quis, ao encontrar-te…
tu me deste a alegria franciscana
de não tugires ao sentir meu passo.
Tão linda, tão magrinha, pel e ossos,
decerto ainda nem comeras nada…
minha pequena bailarina pobre!
Se eu fosse bicho… sabe lá que tontos
que verdes amores seriam os nossos…
Mas, se fosses gente, iríamos morar
sob um céu oblíquo de água-furtada,
um céu cara a cara – só nosso –
e aonde apenas chegasse o canto das cigarras
e o vago marulho do mundo afogado…

*** **
Mario, larga de ti esses berloques
e bandeirolas multicoloridas,
rasga essa fantasia…
e vem lançar teu uivo solitário
às estrelas, acesas e perdidas
por todo esse negror em que, perdidas,
vivem sonhando aonde irão…
e um dia… pode ser que Deus… então
te mostre a verdadeira luz – a Luz Primeira!
Mas tu, enovelando-te que nem um mundo
desses tantos que rolam por aí,
assim te fecharás – de orgulho ou medo
como um bicho-de-conta, em Sua mão…

(E hão de guardar, os dois, o seu segredo!)

Canção da Primavera, de José Regio

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

Quando vier a primavera, de Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Agora, de Miguel Torga

Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.

Amar, de Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

Divina Primavera, de Elias Akhenaton

Quão doce e colorida é a primavera,
Com suas flores suaves e delicadas,
Que exalam essências perfumadas,
Deixando um frescor na atmosfera!

Que magia é essa que agora impera
Pássaros mais alegres nas alvoradas,
Caminhos com florzinhas encantadas,
Num belo quadro qu’ o mundo venera?

Apenas sei que é de Deus a concepção,
Pois exala amor desde a primeira flor,
Não só no ar, mas também no coração.

Deixando a vida leve, alma de beija-flor,
Mantendo-a eterna, em renovação,
Semeando a Paz do Bondoso Criador.

Primavera, de Rose Feliciano

No balé das cores, desfilando orquídeas
Vejo minha vida como reprise…

Olhos brilhantes, de sonhos tantos…
Mágico instante, doce release…

Fui primavera
De harmonia, beleza
Tantas certezas…

Bela estação é esta!
Mas, de certo, agora
Sei apenas que chega… E vai embora…

História Infantil

Então, gostou desses lindos poemas sobre a primavera? Na nossa seção História Infantil, você encontra muitas dicas incríveis histórias, fábulas, poemas, livros e vídeos infantis. Além disso, confere dicas de atividades e jogos de leitura, de contação de histórias e formas de organização da biblioteca infantil em casa. Visite:

Posts relacionados

Observando as cores das borboletas

Criar uma borboleta com peças soltas

As cem linguagens da criança, poema de Loris Malaguzzi

O menino azul - poema de Cecília Meireles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *