Adeus, Leire! Assim contamos à Laura como morreu nossa gata

0

Vivemos um momento de duelo. Depois de 11 anos de convivência, repleta de amor e carinho, nossa gata nos deixou. Enfrentar a perda de um animal tão querido não é nada fácil. Ter que explicar a nossa filha que Leirinha não estaria mais conosco não foi algo fácil. Mesmo tendo 18 meses, Laura buscava nossa gata pela casa. Sempre que ouve o nome da Leirinha, diz “miau”. Convido vocês a lerem o modo carinhoso como ajudamos nossa pequena a enfrentar o duelo pela morte de seu primeiro animal de estimação.

crianca afrontando duelo animal 09

Querida filha,

Precisamos conversar. Sei que ainda não compreende muitas coisas deste mundo. Mas sei também já entende o significado do amor e de amar ao próximo.

Quando entrarmos novamente em casa, notaremos um enorme vazio. Leirinha, nossa gata, já não nos recibirá carinhosamente. Já não nos olhará fixamente com seus lindos e grandes olhos amarelos. Quando você for pintar, não lhe fará companhia. Quando for comer, desde a sua cadeira, olhará para baixo e não a encontrará. Já não voltará a estar ali pronta para abocanhar toda a comida que você jogava pra ela. À noite estará ao pé da cama, velando seu sonho. Já não terá com quem brincar ou conversar (à sua maneira).

crianca afrontando duelo animal 08

A Leirinha já não vai mais voltar. Ela se foi. Estava muito doente. Agarrava-se ao amor que sentia por nós para ficar um pouco mais por aqui. Ela precisava ir para descansar. E agora descansa.

Aqui nós seguimos nossa caminhada, com menos graça. Sentiremos falta de suas corridas matinais pela casa. Sentiremos falta de seu corpinho deitado em nossas pernas enquanto assistíamos a televisão. Nossa casa está impregnada de sua alegria e doçura. Estaremos na cozinha e a recordaremos sentada na esquina esperando a seu momento de comer. Estaremos na sala e a veremos deitada confortavelmente no sofá, como fazia habitualmente cada tarde. Estaremos no banheiro e escutaremos o barulhinho de suas patas na areia. No nosso quarto, cada vez que olharmos nossa cama, veremos que já não deitará mais conosco.

crianca afrontando duelo animal 05

Alegre-se, minha filha! Você teve a sorte de ter a melhor irmã de pelo do mundo. Leirinha acompanhou você desde que estava em meu ventre. Cada dia se deitava sobre minha barriga e dormia em cima de você. Quando você nasceu, ao chegarmos a casa, recebeu-lhe com desconfiança, mas pouco a pouco deixou-se querer por você.

Dia após dia vocês estreitaram laços de amizade e companheirismo. Tornaram-se amigas, irmãzinhas de coração. Leirinha estava sempre atenta a você. Zelava pelo seu sono, enquanto dormia. Observava seus movimentos, enquanto acordada. Parecia querer protegê-la.

crianca afrontando duelo animal 03

Você começou a se arrastar pelo chão, porque queria alcançá-la. Pelo mesmo motivo começou a engatinhar. Como em um jogo de pega pega, quando você se aproximava, ela se afastava um pouco. Parecia esperar que você se esforçasse para ir até ela novamente. E assim foi. Apressou-se para caminhar e chegar mais rapidamente à Leirinha. Passou a correr, para que fosse ainda mais veloz.

Dizem que quando um bebê começa a andar, ganha sua primeira autonomia. Ou seja, fica mais independente. Pode ir de um lado a outro, sem precisar que o ajudem. Leirinha sabia que precisava te acompanhar nesse processo. Ajudou a desenvolver suas primeiras asas, para que você pudesse explorar esse mundo.

crianca afrontando duelo animal 07

Pena que não pode esperar você falar. Ontem, após acordar, mostrei-lhe um retrato da Leirinha. Você apontou com o dedinho e disse: “Miau”. Dei-lhe o retrato em suas mãozinhas. Seu olhar era triste, seu semblante era sério. Mais uma vez repetiu “Miau”. Naquele momento, tive a certeza de que compreendeu que Leirinha não voltará mais. E percebi que, embora tenha só 18 meses, você já tem uma capacidade infinita de amar o próximo.

crianca afrontando duelo animal 01

Que bom, minha filha! Leirinha não apenas te apoiou no processo do caminhar. Ela te ensinou a beleza do amor pelo outro. Agora Leirinha não é apenas um retrato na parede. É e será sempre a mais doce é bonita lembrança do que é o amor.

Desejamos que a Leirinha fique em paz. E ela permanecerá sempre viva em nós porque viverá sempre em nossa mente e em nossos corações

você pode gostar também

Comentários

Loading...