Educar sem medo

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Educar sem medo é uma campanha de Padres Formados para sensibilizar e refletir sobre as vezes que, de forma inconsciente, educamos gerando medo. Muitas vezes nos esquecemos de que fomos crianças e passamos pelas mesmas etapas pelas quais passam nossos filhos. Esquecemo-nos de quais foram nossas necessidades. Por isso, nos custa refletir sobre nossas vivências. Fazê-lo seria imprescindível para evitar repetir padrões de conduta adquiridos na educação que recebemos de nossos pais. Seria imprescindível para educar sem medo.

Outra vez você caiu?

Diante dos acidentes, não faça perguntas do tipo:

  • Quem foi?
  • Quem começou?
  • Quem quebrou isso?
  • Quem jogou isso?

Saber quem foi não muda o que ocorreu. Apenas aumenta a sensação de culpa, não a responsabilidade.

Você não está mentindo…

Diante das mentiras, não exija a verdade.

  • Não vou poder confiar em você de novo.
  • Não vou acreditar mais em você.
  • Seu nariz vai crescer.
  • Você vai acabar sozinha.

Semeie confiança e a criança confiará em você. A mentira, às vezes, são estratégias de sobrevivência. Quando a relação com o adulto e o vínculo afetivo não está protegido, a mentira pode surgir como uma forma de autoproteção, de evitar o castigo, de não decepcionar o adulto, de evitar a raiva, etc… Diante da mentira, não exija a verdade. Demonstre confiança e seu filho confiará em você.

Que seja a última vez…

  • que tenho que dizer isso.
  • que te grito.
  • que te digo o que tem que fazer…
  • que tenho que vir te buscar…
  • que você me deixa nesta situação.

A paciência não é algo que se perde, mas sim algo que semeia como uma flor que se rega. Quando se trata de educar, todas as oportunidades são poucas. Não pode haver uma última vez para aprender algo.

Olha seu irmão…

  • Já terminou de comer.
  • Já recolheu os brinquedos.
  • Já estudou enquanto você perdia tempo.
  • Já organizou o quarto…

Comparar as crianças apenas gera rivalidade. Animar acende a chama da motivação.

Se me ignora quando choro…

  • Aprendo que chorar é algo ruim.
  • Aprendo que mereço a raiva do adulto.
  • Aprendo que me comporto mal.
  • Aprendo que me sinto mal com algumas emoções.

Recomendamos que leia também:

Se estudasse mais, aprovaria…

Diante da desmotivação acadêmica, não pressione.

  • Se repetir de curso, mudará de amigos.
  • Se não aprende inglês, não tem futuro.
  • Se não tira boas notas, não poderá escolher o curso que mais deseja.

Temer o futuro nos impede acompanhar o presente. Nem sempre se suspende porque não se estuda o suficiente. Pressionar não ajuda e, talvez, o mais importante não está sendo atendido: a desmotivação acadêmica, a atividade física, as relações sociais, as regras com o uso da tecnologia, o descanso, etc.

Não vai dizer obrigado?

As habilidades sociais se aprendem com o exemplo

  • Que mal educado você é.
  • Se não disser obrigado, outro dia não te comprarão…
  • O gato comeu sua língua?
  • Vão pensar que você é uma menina antipática…

O medo ao que digam nos impede esperar que a aprendizagem flua. As habilidades se aprendem com o exemplo, sobretudo ao cumprimentar, agradecer ou se despedir. Aprendemos vendo como so demais o fazem. Muitas vezes, tentamos impor que nossos filhos façam o que queremos, condicionando sua conduta. “Se não disser obrigado, tiro o que te dei.” Teríamos que refletir até que ponto esta prática é educativa. Agradecer é muito mais do que dizer obrigado. É gerar emoções positivas.

Eu não deveria sentir isso pelo meu filho…

Não se julgue por sentir emoções negativas.

  • Deveria estar feliz…
  • Deveria me sentir de outra maneira…
  • Deveria ser de outra maneira…
  • Deveria ter pensado antes…

Os “deveria” e os “teria” nos impedem viver a maternidade tal e como é. Isso pode acabar dando lugar a frustrações difíceis de administrar. Muitas vezes a maternidade não se parece com a ideia que fazíamos dela. Não busque ser como esse ideal. Permita-se sentir o que a maternidade gera em você e viva sua realidade.

Você me deixa nervosa…

Expressar o que nos geram os filhos é ampliar a consciência emocional.

  • Fico nervosa quando brinca assim…
  • Fico preocupada quando não te vejo…
  • Fico assustada quando está perto da rua…

Mudemos a forma di dizê-lo. No lugar de “Você me deixa nervosa”, procure dizer “Eu fico nervosa…”.

A forma de expressar o que nossos filhos e filhas nos geram é importante. A linguagem modifica o pensamento. Ele é responsável pelo modo como administramos os sentimentos que nos são gerados. Por isso, a forma de se expressar deve estar focado no que você sente.

Deixa de ser boba…

Aumentar a consciência emocional, expressando nossas emoções.

  •  Você estava tão contente, não comece a chorar…
  • Não vou te fazer caso se continuar assim…
  • Não seja caprichosa e exagerada que me faz passar vergonha…

As crianças não são responsáveis pelo que nós, adultos, sentimos. “Deixa de ser boba” é uma frase que se diz com muita naturalidade, mas que, no fundo, guarda uma mensagem muito devastadora para a autoestima da criança. Nega suas emoções, reprimindo o que sente em troca da aceitação do adulto e da responsabilidade pelas emoções que sente a criança.

Na convivência surgem muitas emoções, mas cada um de nós somos responsáveis de como as vivemos, administramos e expressamos. Não há culpados. Apenas existem geradores de emoções.

Não deixe a comida no prato. É falta de educação.

Obrigar a comer não é ensinar o hábito da alimentação.

  • Se não comer, não vai crescer…
  • As crianças da África não tem para comer…
  • Come tudo, se quiser…

Aprendemos a comer de tudo e variado quando, na mesa, há compreensão, pouca pressão, tempo e paciência. O hábito da alimentação se educa. O não comer tudo não pode ser considerado uma falta de educação. Aprendemos a comer de tudo e variado quando não criamos uma recusa à comida pelo mal que nos sentimos no momento do almoço ou da janta. Insistir, animar e dar tempo é melhor do que pressionar e obrigar.

Se não me der um bejio…

Os beijos se pedem e se oferecem. Não se ganha na força.

  • Se não me der um beijo, não te darei um presente que tenho para você…
  • Vejo que não quer sua avó. Não vai dar um beijo nela?
  • Se não me der um beijo, eu mesma pego…

Pergunta se quer um beijo. Escute a resposta e não se sinta mal se for negativa. Há distintas maneiras de cumprimentar. Podemos fazê-lo com as mão, com o sorriso, com o olhar, mas os beijos são uma opção pessoal. Com o tempo se torna um costume, mas, enquanto são crianças, devem saber que respeitamos a forma que escolham para expressar o carinho.

Se não compartilha, é um egoísta…

Primeiros aprendemos a repartir e, logo, a compartilhar

  • Se não seus brinquedos, não terá amigos…
  • Se não compartilha, vamos para casa…
  • Você é um egoísta…

A empatia que nos permite ver e sentir o outro, gera o desejo de compartilhar com o outro. Não compartilhar não torna a criança egoísta. Isso não deveria ser interpretado como algo positivo. Estamos aprendendo a identificar nossas emoções e as dos demais.

Você é uma mimada…

Desejar, querer inclusive insistir, é o normal de um caráter com potencial. Mas tem que dizer e manter um NÃO se corresponde.

  • Não tem porque querer tudo o que vê…
  • Não pode chorar se não te compro algo…
  • Se continuar insistindo é que não te dou mesmo…
  • Não seja mimada…

Podem desejar a lua e se conformar só com vê-la. Isso também faz parte da aprendizagem. Desejar e querer “tudo” não é negativo. Às vezes a dificuldade é do adulto para dizer e manter um NÃO se é o que corresponde no momento. Se fazemos com que a criança se sinta mal por desejar coisas, não a ajudamos a regular os desejos, a se frustrar e madurecer na autorregulação emocional. “Você pode desejar a lua, mas hoje terá que se conformar com vê-la.”

Compromisso de Educar sem medo

Então, você se une ao compromisso educativo de educar sem medo? Você apenas tem que refletir sobre que aspectos passamos por alto no dia a dia. Aspectos que estão tão arraigados em nossa cultura, em nossas crenças e conversas ou em nossa forma de pensar que, sem que nos demos conta, geram medo e influenciam nossos filhos e filhas negativamente. Ou, ainda, transformam a forma como nos vemos as relações e como nos sentimos. Um pensamento e linguagem positivos favorecem a saúde mental.

* Texto de Leticia Garcés Larrea.

** Campanha Educar sem medo de Padres Formados

Veja, em nossa web, algumas seções interessantes que nos convidam a educar sem medo, a partir do respeito ao ritmo de cada criança.

Inteligência Emocional

Na seção Inteligência Emocional aprendemos como ajudar nossos filhos a reconhecer e identificar as emoções corretamente. A partir do autocontrole emocional, a criança está preparada para vivenciar situações várias de uma maneira equilibrada. Descubra mais:

Disciplina Positiva

Através da Disciplina Positiva aprendemos a centrar-nos em potenciar habilidades em nossos filhos para que possam ser capazes de solucionar problemas por eles mesmos. Também reconhecemos que castigos físicos e psicológicos não são recursos que favoreçam a criar crianças com autonomia, responsáveis e independentes. Saiba mais:

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