Nunca devemos mentir a nossos filhos

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É fato: as crianças mentem por dois motivos claros: para obter o quer precisam e para evitar o que temem. Aprendem a mentir, porque nós, adultos, lhe ensinamos. Muitas vezes, nós pais, para obter o que queremos usamos as chamadas “mentiras piadosas”. Ao fazê-lo, acabamos por dar o exemplo.

Isso mesmo. Lembremo-nos sempre de que somos o maior exemplo para nossos filhos. Mentimos a nossos filhos para que comam mais, para que tomem banho, para que façam os deveres. Assim, eles aprendem que também podem fazê-lo.

E se expressam emoções negativas, como a raiva, a ira, o ódio, tendemos a reprimi-las. Não queremos lidar com o negativo. Ao reprimir na criança essas emoções, ensinamos a mentir sobre seus sentimentos.

Leia atentamente o texto do Dr. H. Ginott para entender bem do que estamos falando. Enche-nos os olhos de lágrimas de tão bonito e certeiro!

Às vezes mentem porque não se permite que digam a verdade.

Willie, de quatro anos, apareceu na sala de estar, chateado, e se queixou à sua mãe: “Odeio a vovó!. Sua mãe, horrorizada, disse: “Não não. Você gosta muito da vovó! Nesta casa não odiamos. Além disso, ela te dá presentes e te leva a muitos lugares. Como pode dizer algo tão terrível?

Mas Willie insistiu: “Não, eu a odeio. Odeio. Não quero voltar a vê-la.”. A mãe de Willie, agora realmente desgostada, decidiu usar um método educativo mais drástico. Deu um tapa em Willie.

Willie, que não queria ser mais castigado, mudou o tom: “Eu gosto muito da vovó, mamãe”, disse. Como sua mãe respondeu? Ela abraçou e beijou Willie. Elogiou por ser um menino tão bom.

O que aprendeu Willi desse intercâmbio? É perigoso dizer a verdade, compartilhar seus verdadeiros sentimentos com sua mãe. Quando se é sincero, é castigado; quando mente, tem amor. A verdade doi. Mantém longe dela. Mamãe ama os pequenos mentirosos. Mamãe gosta de escutar apenas coisas agradáveis. Diga-lhe só o que quer escutar, não o que você sente.

O que poderia ter respondido a mãe de Willie se queria ensinar-lhe a dizer a verdade?

Ela teria reconhecido seu desgosto: “Oh, você não gosta mais da vovó. Você quer me dizer o que ela fez que te deixou tão chateado?” Ele poderia ter respondido: “Ela trouxe um presente para o bebê, mas nada para mim.

Se queremos ensinar honestidade, então devemos estar preparados para escutar verdades amargas e verdades agradáveis. Se as crianças devem crescer honestos, não devem ser incitados a mentir sobre seus sentimentos, sejam agradáveis de escutar, desagradáveis ou ambivalentes.

– H. Ginott –

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