Quanto menos coisas faça o brinquedo, mais fará a mente da criança

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A minha geração foi aquela cujos pais não podiam comprar brinquedos caros. Claro que desejávamos ter uma bonita bicicleta ou uma Barbie. Pois bem, a primeira bicicleta foi de segunda mão e a Barbie era uma cópia melhorada. Todo o demais existia como fruto da imaginação. Éramos capazes de montar cabanas, fazer roupinhas de bonecas com retalhos, transformar caixas de papelão em casinha… A palavra de ordem na hora do brincar era IMAGINAÇÃO.

As coisas melhoraram. A geração da minha filha tem acesso a muito mais coisas. Os brinquedos são mais baratos e podemos comprar aqueles que nos pareçam adequados ao seu desenvolvimento. Não vamos entrar na discussão sobre a quantidade de brinquedos se estimula em excesso ou não os pequenos. Aqui estamos tratando da qualidade do brinquedo.

Uma das maiores chamadas de marketing das empresas que produzem brinquedos são os personagens de desenhos animados. Há pais que tendem a comprar tudo de um único personagem, sem nem sequer refletir sobre a funcionalidade do brinquedo.

Um exemplo claro, para mim, é a quantidade de brinquedos da Galinha Pintadinha. Jogaria no lixo mais de 80% deles. São brinquedos que fazem tudo sozinho. Praticamente independem da criança. Não há um estímulo à criatividade da criança. Ela apenas precisa apertar um botão para ouvir um som. Ou encaixar uma peça para completar um jogo.

Enfim, acredito que não se trata de privar as crianças dos brinquedos já que são fonte de diversão e entretenimento, bem como de aprendizado. No entanto, devemos ter em conta esta regra na hora de escolher um brinquedo para nossos filhos:

Quanto mais coisas faz um brinquedo, menos faz a mente da criança.

Portanto, os pais deveriam apostar mais em brinquedos que estimulem a fantasia e a criatividade, tais como os blocos de construção, e menos em brinquedos tecnológicos que promovam um brincar completamente estruturado. Por exemplo, os brinquedos que falam dezenas de frases ou que funcionam só de apertar um botão.

Jogo livre na infância

O jogo livre torna-se, portanto, essencial durante a infância. É através dele que a criança desenvolve habilidades fundamentais para seu desenvolvimento. Enquanto brincam livremente, desenvolve-se física, psíquica e socialmente. Além disso, trabalha suas habilidades emocionais, já que, enquanto brinca, aprende como regular emoções como medo e ira. Desenvolve, assim, o autocontrole emocional, algo que lhe servirá para situações da vida real.

Isso não significa que atividades estruturadas, como os esportes, jogos de mesa com regras e mesmo brinquedos eletrônicos, não sejam ferramentas úteis. De fato o são, mas não cumprem a mesma função do jogo livre. Esse está centrado inteiramente na criança. Ela dá início ao jogo, estabelece regras, controla a situação. É excelente porque não requer a participação do adulto que se torna um mero observador.

Trata-se de um jogo fluido, pois as crianças controlam as regras, decidem como brincam e como evolui o jogo. Esse processo espontâneo estimula as capacidades criativas e ensina a criança a habilidade para resolver problemas a longo prazo. Quando não favorecemos este tipo de jogo, deixamos de dar a oportunidade de dar à criança a oportunidade de desenvolver um monte de habilidades. Ao mantê-las em casa brincando com seus jogos eletrônicos entediantes que fazem tudo, facilitamos que, pouco a pouco, perca o seu potencial criativo.

Além do mais, dado que as crianças devem negociar constantemente para que o jogo continuem, acabam desenvolvendo empatia e capacidade de comunicação. Aprendem a entreter-se e a lidar com o tédio sem se frustrar.

Brinquedos não estruturados

Antes mencionei que não entraria no mérito da quantidade de brinquedos, se é boa ou ruim para a criança. Acredito que pode ser ruim sempre que a maioria delas faça tudo pela criança. Ou seja, brinquedos de apertar botão ou encaixar uma ou duas peças, acabam por ser um mais e geram tédio na criança. Talvez, por isso, ela não sabe nem com que brincar. Esse tipo de brinquedo não satisfaz o instinto curioso da criança. Ao contrário, o mina.

Os melhores brinquedos são os não estruturados. Por exemplo, os blocos de construção, especialmente os de madeira. Esses favorecem a criatividade, posto que, cada vez que jogar, a criança estabelecerá novas regras, construirá novos mundos, criará diferentes narrativas.

Esses brinquedos não possuem regras claras. A única regra existente é empilhar peças. Que imagens formar, como empilhá-las, o que construir… isso fica a critério da imaginação e da criatividade da criança.

Enfim, não se esqueçam da regra básica na hora de comprar qualquer coisa para seu filho: Quanto menos coisas faça o brinquedo, mais fará a mente da criança.

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