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Annase e o baú de histórias

Baú de histórias

Houve um tempo em que na Terra não tinha nenhuma história para se contar. Todas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu. Kwaku Ananse, o homem aranha, queria comprar as histórias de Nyame, o deus do Céu, para contar ao povo de sua aldeia. Então, ele teceu uma teia de prata que ia da terra até o céu.

Quando Nyame ouviu Ananse, aquele homem velho e magro, dizer que queria comprar suas histórias, ele riu muito e falou:

– O preço das minhas histórias, Ananse, é que você me traga Osebo, o leopardo com dentes terríveis; Mnboro os marimbondos que picam como o fogo e Moatia a fada que nenhum homem jamais viu!!

Ananse deu um sorriso e respondeu:

– Pagarei seu preço com prazer!

Ananse desceu por sua teia de prata que ia do Céu até o chão para pegar as coisas que o Deus do Céu exigia. Ele correu por toda a selva até que encontrou Osebo, o leopardo de dentes terríveis. E o leopardo falou:

– Ah, Ananse! Você chegou na hora certa para ser o meu almoço!!

– O que tiver de ser será! – disse Ananse – Mas primeiro vamos brincar de amarra – amarra?

O leopardo que adorava jogos, logo se interessou:

– Como se joga este jogo?

– Com cipós! Eu amarro você pelo pé com o cipó… depois desamarro! Aí,… é a sua vez de me amarrar! Ganha quem amarrar e desamarrar mais depressa. – disse Ananse.

– Muito bem! – rosnou o leopardo que planejava devorar o Homem Aranha assim que o amarrasse.

Ananse, então, amarrou Osebo pelo pé. Depois, ágil como o homem aranha, foi amarrando todos os pés do leopardo. Quando ele estava bem preso, pendurou-o amarrado a uma árvore dizendo:

– Agora Osebo, você está pronto para encontrar Nyame o Deus do Céu!

Aí, Ananse cortou uma folha de bananeira, encheu uma cabaça com água e atravessou o mato alto até a casa de Mmboro. Lá chegando, colocou a folha de bananeira sobre sua cabeça, derramou um pouco de água sobre si, e o resto sobre a casa de Mmboro dizendo:

– Está chovendo… chovendo… chovendo… vocês não gostariam de entrar na minha cabaça para que a chuva não estrague suas asas?

– Muito obrigado, Muito obrigado!, zumbiram os marimbondos entrando para dentro da cabaça que Ananse tampou rapidamente.

O Homem Aranha, então, pendurou a cabaça na árvore junto a Osebo dizendo:

– Agora Mmboro, você está pronto para encontrar Nyame, o Deus do Céu!!

Depois, ele esculpiu uma boneca de madeira, cobriu-a de cola da cabeça aos pés, e colocou-a aos pés de um flamboyant onde as fadas costumam dançar. À sua frente, colocou uma tigela de inhame assado, amarrou a ponta de um cipó na cabeça da boneca e foi se esconder atrás de um arbusto próximo. Ficou segurando a outra ponta do cipó e esperou. Não demorou muito e chegou Moatia, a fada que nenhum homem viu. Ela veio dançando, dançando, dançando, como só as fadas africanas sabem dançar, até aos pés do flamboyant. Lá, ela avistou a boneca e a tigela de inhame.

– Bebê de borracha, estou com tanta fome… poderia dar-me um pouco de seu inhame?

Ananse puxou a sua ponta do cipó para que parecesse que a boneca dizia sim com a cabeça. A fada, então, comeu tudo, depois agradeceu:

– Muito obrigada bebê de borracha.

Mas a boneca nada respondeu. A fada, então, ameaçou:

– Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou te bater!

E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando com sua mão presa na sua bochecha cheia de cola. Mais irritada ainda, a fada ameaçou de novo:

– Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou lhe dar outro tapa.

E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando agora, com as duas mãos presas. Mais irritada ainda, a fada tentou livrar-se com os pés, mas eles também ficaram presos. Ananse então, saiu de trás do arbusto, carregou a fada até a árvore onde estavam Osebo e Mmboro dizendo:

– Agora Mmoatia, você está pronta para encontrar Nyame, o Deus do Céu!!

Depois, ele teceu uma imensa teia de prata em volta do leopardo, dos marimbondos e da fada, e uma outra que ia do chão até o Céu e por ela subiu carregando seus tesouros até os pés do trono de Nyame. O Deus do Céu ficou maravilhado, e chamou todos de sua corte dizendo:

– O pequeno Ananse, trouxe o preço que peço por minhas histórias; de hoje em diante, e para sempre, elas pertencem a Ananse e serão chamadas de histórias do Homem Aranha! Cantem em seu louvor!

Ananse, maravilhado, desceu por sua teia de prata levando consigo o baú das histórias até o povo de sua aldeia. Quando ele abriu o baú, as histórias se espalharam pelos quatro cantos do mundo e são contadas até hoje.

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