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Autoconhecimento na infância: Mamãe, eu preciso me acalmar sozinha

autoconhecimento na infancia

Vamos falar de autoconhecimento na infância como uma etapa de amadurecimento emocional. Essa é uma das habilidades que buscamos desenvolver na criança através da Educação Emocional. Nada vem de repente e nem com a idade. O trabalho emocional ocorre a médio e longo prazo. Daí que a semente deva ser plantada desde que nossos filhos são bebês.

Mamãe, eu preciso me acalmar sozinha.” Assim me explicava Laura na última noite sobre o que havia passado no parquinho durante a tarde. Faço um breve relato da situação ocorrida no parque. De repente queria tirar o chinelo para brincar. Firme, expliquei-lhe que não poderia, pois havia coisas pelo chão que poderiam ferir os pés. Ela insistiu. Eu me mantive firme. Dei-lhe alternativa: “Você pode brincar com pés descalços em casa. No parque, com chinelo. Ou seja, para ficar sem o calçado podemos ir à casa.

Podem imaginar a cena: não queria sair do parque, mas também não queria colocar o chinelo. Mantive-me firme. No fim das contas, ela colocou o chinelo e foi brincar. Mas, o que ocorreu foi suficiente para não deixa-la confortável. De repente, se enrolou em um brinquedo, no qual se machucou. Daí por diante, a bola de neve foi se formando. Choro, cara fechada, raiva, tristeza, tudo junto e misturado.

Sentei-me para conversar com ela. Escutei o que tinha para dizer. Recordei-lhe algumas ferramentas que poderia usar para lidar com a raiva. E a deixei sozinha. E tudo voltou a fluir.

Eu preciso me acalmar sozinha

À noite, antes de dormir, a pequena da casa me explica:

Mamãe, no parque, eu estava triste e com raiva. Eu precisava me acalmar sozinha. Você precisa me deixar sozinha. Se você fica falando, eu não consigo me acalmar. Eu sou uma criança. E uma criança não pode falar com um adulto tanto. Na próxima vez, me deixa sozinha.

Uma reflexão tão profunda como essa dita por uma criança de 4 anos, levou-me a um estado de alegria imensa. A pequena de casa entra em um processo de autoconhecimento. Está tornando-se capaz de não apenas reconhecer o que sente, o motivo que da origem a determinada emoção, como também consegue perceber sua necessidade no momento e buscar soluções para enfrentar as adversidades.

Vale mencionar, essa situação ocorrida ontem é apenas a chave de entrada para o autoconhecimento. Ainda falta muito para que a criança possa entender quem é, no que acredita, quais são seus talentos e fortalezas.

A chave do autoconhecimento na infância

É certo que, a partir dos 4 anos, a criança é capaz de fazer reflexões mais complexas, dar explicações mais profundas, questionar mais sobre as coisas do mundo. No entanto, isso não implica que ela desenvolva um autoconhecimento.

De fato, o autoconhecimento está composto de 4 elementos que, em conjunto, favorecem o fortalecimento da autoestima da criança:

  • 1. Autoconceito: O que acreditamos de nós mesmos
  • 2. Autoimagem: Como nos percebemos
  • 3. Autoaceitação: Reconhecer como somos
  • 4. Auto-respeito: atender e satisfazer nossas próprias necessidades e valores.

Como já mencionado, não há uma fórmula exata para conseguir criar filhos capazes de compreender seus próprios sentimentos e pensamentos, conhecer suas motivações, valores e opiniões. É preciso um trabalho de formiga para que a criança se torne capaz de conhecer e reconhecer o que é, como atua e como pode encontrar soluções para seus problemas. Ela deve ser capaz de se conhecer e se valorizar pelo que é realmente.

Se não há fórmula, o que pode ajudar a desenvolver o autoconhecimento na infância? Em nossa casa, o diálogo aberto e a leitura de contos infantis sobre as emoções. E não há mais. Ah, mas fique claro: isso é um trabalho diário e contínuo.

Diálogo é fundamental

Já comentei a vocês que, no quarto de Laura, temos a pedra para falar sobre as emoções. Toda noite, conversamos sobre algo que tenha ocorrido durante o dia. Em geral, começamos conversando sobre coisas bonitas. De repente paramos em alguma situação que tenha gerado algum comportamento inadequado. E terminamos conversando sobre outras coisas boas.

Detemo-nos no comportamento inadequado. Tendemos, nesse momento, dialogar. Como? Os passos são quase sempre os mesmos:

  • O que ocorreu naquele momento em que…
  • O que você sentiu?
  • Por que sentiu… (raiva, tristeza, nojo…)?
  • Como você poderia ter feito para se acalmar?
  • Gostaria que um amiguinho fizesse isso com você?
  • Como poderia fazer da outra vez?

Essas são reflexões que vamos fazendo que auxiliam no desenvolvimento do autoconhecimento. A criança deve ser capaz de ter consciência sobre a aceitabilidade ou não de seus atos no ambiente social. E para isso, de mãos dadas, deve estar o desenvolvimento da empatia. Reconhecer o que não gosta e ser capaz de se colocar no lugar do outro.

Tenha em conta que no diálogo aberto com a criança, não há gritos, não há ameaças de castigos. Há reflexões sobre consequências e construção de ferramentas para solucionar os problemas.

Contos infantis como recurso para o aprendizado

Dizem que somos o maior exemplo para nossos filhos, não é mesmo? E assim o é. Quando somos capazes de dialogar, explicar, não gritar, não bater, ser empáticos, o mais provável é que a criança siga o nosso exemplo, em todo e qualquer entorno que esteja.

No entanto, lembre-se que não somos exemplos em todos os entornos. Será que ela já viu como você reage quando sua amiguinha passa correndo e tira da sua mão, sem pedir, o seu celular? Então, esse exemplo não está aí. E tantos outras situações que vivencia no parquinho ou na escola serão novas e, muitas delas, não saberá como solucionar desde a calma e a empatia.

Daí que os livros infantis sejam parte fundamental do processo de desenvolvimento do autoconhecimento. A autoconsciência se inicia quando as crianças já são capazes de reconhecer e nomear suas emoções, fortalezas, desafios, o que gosta e o que não, o que lhe deixa confortável ou não.

O autoconhecimento estará bem desenvolvido, quando a criança seja consciente de algo sobre ela mesma que outras pessoas não podem notar. Por exemplo, o que ocorreu no parque e nossa filha se da conta de que precisa se acalmar sozinha. Mas, não apenas isso. É preciso que ela seja consciente de como as outras pessoas a veem. E isso só vem mais tarde quando se dão conta de que as pessoas pensam, sentem e tem perspectivas diferentes das suas.

A importância de um autoconhecimento bem desenvolvido

Por que é importante que seja bem desenvolvido o autoconhecimento na infância? Simplesmente porque, quanto a criança se conhece melhor, mais fácil tem para desenvolver uma autoestima positiva. Ela deve ser capaz de reconhecer tanto suas capacidades e habilidades, como suas dificuldades. Conhecer melhor como pensa sobre determinada coisa e como reage diante de um problema ajuda a saber quando devem solicitar ajuda ou buscar seus direitos.

Uma criança que se autoconhece, também se autosupervisiona melhor. Em outras palavras, é capaz de dar sequência ao que está fazendo, dando conta do que vai bem e o que não. E isso a leva à habilidade de refletir melhor sobre o que passou para encontrar melhores caminhos de fazer melhor na próxima vez.

Em resumo, ter consciência de si mesmo lhe permitirá:

  • Reconhecer suas capacidades e habilidades.
  • Ser capaz de se dar conta de que não fez algo com adequação.
  • Entender e falar sobre seus sentimentos e emoções.
  • Reconhecer as necessidades e sentimentos de outras pessoas.
  • Dar conta de como seu comportamento afeta os outros.
  • Ter uma mentalidade de crescimento.
  • Ser resiliente e desejoso de aprender de seus erros.

E se você me perguntar se há atividades e exercícios para desenvolver o autoconhecimento. Minha resposta é que sim. Há alguns que podem complementar o diálogo e a leitura dos contos infantis. Por exemplo, praticar mindfulness ou meditação, brincar com a própria sombra, brincar diante do espelho…

Educação Emocional

Na seção Educação Emocional aprendemos como ajudar nossos filhos a reconhecer e identificar as emoções corretamente. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional, a criança está preparada para vivenciar situações várias de uma maneira equilibrada. Além disso, há uma parte dedicada a sugerir atividades sobre as emoções para trabalhar com os pequenos em casa. Descubra mais:

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