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Castigar a criança mostra o abuso de poder

castigo como abuso de poder

Castigar a criança mostra o abuso de poder, definitivamente. Todos os dias escutamos o vizinho chorar no corredor. Tem apenas 3 anos. Cada vez que faz algo de errado sua mãe o coloca de castigo no frio e escuro hall do prédio. Esse lugar o apelidamos “hall da disciplina”, referência direta ao “cantinho da disciplina”. A criança chora e bate na porta implorando sua mãe para deixá-lo entrar. De vez em quando ela abre a porta e informa ao menino, sem gritos, de que apenas entrará quando pare de chorar e prometa não repetir o erro.

De verdade, me dá muita pena o que lhe passa, dia após dia, a essa criança. Estou convencida de que, em nenhum momento, consegue fazer uma reflexão acerca do erro que o levou a ser castigado daquela maneira. Não entendo como os pais de hoje podem ainda acreditar que o castigo possa corrigir os erros de uma criança. Cada vez que vejo o vizinho no hall, apenas sinto uma profunda tristeza por ver a ferida e o trauma que sua mãe está lhe deixando em sua alma.

Transcrevemos um trecho de uma reflexão de Alfie Khon sobre os castigos às crianças:

Nos convencemos de que não só impomos nossos desejos, como também que estamos ensinando nossos filhos o que acontece quando se comportam mal e o modo de prevenir seu mal comportamento no futuro. Além disso, nós nos vemos como administradores da classe de justiça mais elementar: se transgride a norma, a criança deve ser castigada. (…) O castigo mostra o abuso de poder, não o como e o porquê de se comportar bem.

(…) Existem duas maneiras diferentes de reagir diante da conduta inapropriada da criança. Por um lado, impor uma consequência punitiva; por outro lado, saber ver a situação como um momento ótimo para ensinar, uma oportunidade para educar ou para resolver problemas conjuntamente. Aqui, a reação não é: “Você se portou mal, verá o que vou fazer com você!”, mas sim “Algo não vai bem: o que podemos fazer para resolver o problema?”.

Castigar mostra o abuso de poder do pai ou da mãe sobre a criança. Ninguém disse que não exista uma hierarquia entre pais e filhos. É evidente que ambos não estão ao mesmo nível de igualdade, mas está claro que a relação deve se estabelecer no respeito mútuo.

* Foto: Crecer Feliz

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