Faz algum tempinho, o jornal The New York Times publicou uma guia para criar um filho feminista. Trata-se de uma guia muito necessária para pais de meninos. O jornal americano solicitou a um grupo de neurocientistas, economistas, psicólogos e outros especialistas que respondessem a essa pergunta, baseados em pesquisas e dados reais sobre gênero.

Assim foi criada esta guia que pretende fomentar uma educação simples que aposta pela igualdade entre homens e mulheres. As pautas são bem claras e estão dirigidas a qualquer um que queira criar meninos amáveis, seguros e livres para perseguir seus sonhos.

Então, como criar um filho feminista?

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1. Primeiro de tudo, celebrar que é um menino

Podemos mostrar aos meninos como reconhecer suas emoções. Também ensinar-lhes a cuidar de sua família através de nossos exemplos. Não coibi-los quando desejam demonstrar afeto aos demais. Embora possam ser mais rudes, devem ser capazes de se opor à intolerância. E devemos fazê-los se sentir seguros para que possam perseguir qualquer coisa que desejem.

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2. Deveríamos ler muitas histórias sobre meninas e mulheres

Os meninos estão habituados a escutar histórias cheias de esteriótipos. Enquanto os meninos são fortes e lutadores, as meninas são frágeis e meigas. Enquanto os meninos gostam de matemáticas e ciências, as meninas preferem a linguagem e a leitura. Enquanto os meninos saem para caçar, as meninas cuidam dos filhos e do lar. Fora esses ensinamentos retrógrados que não fazem mais do que disseminar o machismo.

Atualmente, há várias coleções que mostram a vida de mulheres lutadoras que deixaram sua marca na história da humanidade. Anime os meninos a conhecer mais dessas figuras importantes. Essa é uma forma de estabelecer a igualdade entre eles.

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3. Devemos deixa-los chorar

Sim, menino chora e chorar é normal. Um menino não é um robô. Chorar é uma forma de expressar as emoções: raiva, medo e, até mesmo, a alegria. No lugar de constranger o menino quando está chorando, ofereça-lhe ajuda. Acompanhe-o em suas emoções e seja um adulto guia, capaz de ajuda-lo a aprender a reconhecer o que sente e como administrar melhor essas emoções.

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4. Que tenham referências e bons modelos a seguir

É fato. Somos os principais modelos para nossos filhos. Se queremos criar meninos amáveis, seguros e livres, o exemplo deve começar dentro de nossa casa. Qual é o modelo de família que você tem em casa? O casal é corresponsável pelas tarefas do lar? Ou ainda se reproduz o cenário machista de ela limpa e cuida dos filhos, ele trabalha fora e assiste futebol largado no sofá? Se o segundo modelo é o seu caso, é melhor reconstruir a dinâmica familiar, tornando todos os membros da família corresponsáveis pela ordem e limpeza do lar.

Além disso, tenhamos cuidado à linguagem. O que dizemos também favorece a perpetuação de uma cultura machista.

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5. Não devemos usar o termo ‘menina’ como insulto

“Você corre como uma menina” ou “Menina é quem brinca de boneca” ou “Parece uma menina quando briga”. Esse tipo de colocação depreciativa ou ofensiva não é mais do que uma piada machista de mau gosto. Com atitudes assim apenas estamos perpetuando uma cultura que prima pela desigualdade entre homens e mulheres.

Ah, o mesmo vale quando você usa termos como “bichinha” ou “boiola”. Nesse caso, perpetuamos o desrespeito total com os homossexuais. Nada disso contribui para uma sociedade pautada no respeito entre as pessoas.

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6. Devemos ensinar ao menino: NÃO É NÃO

O menino precisa compreender o poder da palavra não. Devemos ensinar-lhe o respeito mútuo. Antes de tocar o corpo do outro, ele deve aprender a perguntar se pode. O fato de ser uma menina não lhe da o direito de tocar. Na infância, brincadeiras de mau gosto como puxar o cabelo ou dar tapa nas meninas não deveriam ser permitidas.

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7. Animar os meninos a terem amigas

Muitos pais quando tem um filho menino se preocupam tanto de que o filho não seja homossexual que tentam coloca-lo em uma borbulha masculina. Todo o universo dele está em volta às chamadas “coisas de meninos”, que vai de ter roupas azuis e brinquedos de ação (bolas, carrinhos, armas…). Ah, e claro está, suas companhias devem de ser meninos.

Ledo engano. é muito importante que os meninos brinquem junto com as meninas. Eles devem aprender a dividir atividades com as meninas. Quando separamos os dois mundos, reforçamos os esteriótipos.

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8. Que seja o que quiser ser. Que seja ele mesmo.

Se queremos, realmente, desenvolver todo o potencial dos meninos, é importante que deixemos que siga seus interesses, sejam eles tradicionais ou não. Temos que deixa-los ser. Quando os limitamos, contribuímos a cercear sua criatividade. Além disso, interferimos na construção de seu caráter, impedindo-o de ser o que verdadeiramente quer ser.

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9. Temos que outorgar-lhes tarefas e que façam cargo de si mesmos

Os meninos desejam ajudar em casa. Na primeira infância, interessam-se por cozinhar, limpar e cuidar de si mesmo. No entanto, tendem a ser cerceados com o passar do tempo. Essas tarefas ficam delegadas às mulheres da casa e os meninos passam a receber tudo pronto. Para educar em igualdade, devemos tirar da cabeça a ideia de que os meninos não podem brincar de casinha ou de boneca. Ao fazê-lo estamos permitindo que se tornem adultos corresponsáveis das tarefas do lar, bem como que se tornem excelentes pais quando vivam a paternidade.

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10. E temos que ensinar os meninos a cuidar dos outros

A tarefa de cuidador, quase sempre, esteve delegada à mulher. Não há um equilíbrio. Em muitas famílias das gerações passadas, as filhas se ocuparam dos cuidados dos seus pais e de outros familiares anciãos. E, quando não tocava às filhas, essa era uma função das noras.

Os meninos devem aprender que podem ser excelentes cuidadores de crianças ou de anciãos. Se tem um irmãozinho em casa, anime-o a cuidar dele. Se não tem, permita-lhe vivenciar essa experiência com os outros bebês da família. Sem dúvidas, isso aumenta a empatia e diminui a agressividade.

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11. Normalizar a corresponsabilidade no trabalho e nas tarefas

Os papeis desenvolvidos no lar devem ser compartilhados entre o homem e a mulher. Sabe aquela de dizer: “Meu marido me ajuda muito”. Não. Ato falho. Seu marido não te ajuda em nada. Ele se ajuda. Quando o homem faz o almoço, faz para si próprio e para os demais. Afinal, tudo o que fazemos em casa é pelo bem da convivência entre todos os seus membros.

* Visto em The New York Times

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