Você já terá lido muito sobre brinquedos sexistas. Há uma forte campanha para desconstruir toda uma crença social de que, por um lado, meninas devem brincar de bonecas e casinha. E, por outro, os meninos devem brincar com carrinho e armas. Veja como uma mãe de três meninos decidiu mostrar-lhes que é possível menino brincar de boneca. Para ela, ao fazê-lo os está preparando para ser bons pais e cuidar melhor de seus filhos. De fato, o menino não brinca de bonecas somente, ele brinca de ser pai.

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A avó de William sorriu. “Ele precisa”, disse, “abraçar e ninar e levar ao parque para que, como você, saiba como cuidar de seu bebê…” – A boneca de William, de Charlotte Zolotow

A autora do blog My Small Potatoes, decidiu ler o livro A boneca de William, de Charlotte Zolotow, para seus três filhos. O tema é a história de um menino que só quer uma boneca para brincar e cuidar.

Ela relatou que o envolvimento das crianças com a história foi muito emotivo. Eles ficaram tristes por ver como o irmão de William acreditava que ele era um louco por brincar com boneca. Ficaram com raiva porque o vizinho do protagonista o havia chamado de bichinha. Mas foram tomados de forte emoção ao ver como a avó de William o compreendeu e lhe deu uma boneca.

A autora viu nisso uma oportunidade importante para ensinar-lhes mais sobre o mundo dos bebês, como necessitam de amor, cuidado e atenção. Ela lhes falou de como, no futuro, poderiam ser papais e como teriam que cuidar de seus filhos com amor e carinho.

Seu objetivo era romper os esteriótipos de que meninas brincam de bonecas e meninos de carrinho. Ela pegou três bonecas e todas as coisas que fossem necessárias para cuidar delas. Logo foram expostos a shampoo, lenços umedecidos, fralda, babeiros, sling, mamadeira…

A partir daí, propôs que eles brincassem de ser papais. Foi assim como trocaram as fraldas dos bebês.

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Aprenderam a alimentar o bebê.

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Depois de comer, colocaram os bebês para arrotar.

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Deram banho, tratando de segurar adequadamente a cabeça do bebê.

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E logo, um pouco de carinho, com ajuda do sling, e outra mamadeira.

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Ser pai se constrói com empatia

Essa história é sensacional, pois desconstrói todo um pensamento machista que domina a nossa sociedade. A mãe se preocupa em ensinar-lhes a ser bons pais no futuro e viverem uma paternidade ativa quando venham a viver essa experiência.

E não se trata apenas de discutir que tipo de brinquedo é pra menino ou pra menina. Ao brincar de boneca, o menino melhora seu desenvolvimento cognitivo, ao dramatizar a brincadeira. Também desenvolvimento sua autonomia do menino, pois, ao aprender a trocar a roupa da boneca, aprende a se vestir sozinho.

E nem se pode dizer do desenvolvimento motor. Aprendem a exercitar o sentido do tato. Sincronizam atividades, tal como alimentar a boneca-bebê com uma mão, enquanto a segura com outra.

Além disso, melhora a linguagem, pois é possível aprender as partes do corpo, as peças de roupa, as cores, o conceito de tamanho e muito mais. Mas, sobretudo, deixar que tanto a menina como o menino brinquem de boneca os prepara para as relações sociais, ao desenvolver a empatia e a compaixão para com o outro.

O que devemos refletir é a necessidade de que nossos meninos brinquem de polícia-ladrão, com brinquedos que imitam objetos violentos (revólver, metralhadora, algemas…). Se os expomos  a brinquedos agressivos, como podemos esperar que sejam pais ativos e não meros ajudantes na criação de seus filhos? Será que, ao presenteá-los com esse tipo de brinquedo, estamos contribuindo para formar uma cultura de paz?

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