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Materiais não estruturados ajudam a expandir a imaginação

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Finalmente abro o blog para receber uma convidada super especial para um bate-papo bem legal sobre a importância dos materiais não estruturados no brincar infantil. Macela Sedycias é professora formada em Letras Português/Inglês, pós-graduada em Língua e Literatura Inglesa e graduanda em Pedagogia. Seu primeiro contato profissional foi com crianças através do ensino de língua inglesa. Desde então, encontrou seu espaço. Toda sua experiência profissional é com crianças nos anos iniciais, ou seja, nas primeiras etapas da Educação Infantil.

Atualmente Macela é professora regente em uma escola socioconstrutivista, da rede privada, e, na hora de planejar as atividades para as crianças se inspira em Pikler, Waldorf, Montessori e Reggio Emilia. Ela também é mãe da Mel (4 anos) e, por conta do esse isolamento social, devido à pandemia do COVID-19, compartilha no Instagram (@mae_da_mel_e_professora) as atividades que venho fazendo com ela.

Desde que comecei o blog, recebo mensagens de pais e professores comentando que se inspiram em várias atividades propostas por aqui para fazer com as crianças. Fico muito contente com isso. Mas, também me inspiro em muitas outras mães e profissionais que também buscam oferecer às crianças um enfoque educacional mais respeitoso, que foge ao clássico completar fichas e memorizar grafias e formas.

Por aqui já publiquei uma atividade inspirada no trabalho da Macela. Trata-se do varal de histórias com o conto Brown Bear Brown Bear.

Macela, conheço seu trabalho através do seu perfil no Instagram. Adoro a maneira como você convida a criança ao brincar. Sua conta está recheada de propostas lindas de minimundos e jogos não estruturados. Como surgiu o interesse por aproximar as crianças a esse tipo de brincar?

Surgiu por incentivo de uma coordenadora maravilhosa que eu tive em 2017-2018 (Carla Hirooka). Comecei a estudar pedagogias alternativas e me encantei! Lembro que conversávamos com muita empolgação sobre esse tema e, naquela época e sob a supervisão dela, comecei a aplicar atividades diferenciadas com as crianças. Vimos, na prática, que dava muito certo!

Por que as crianças deveriam brincar com materiais não estruturados?

Materiais não estruturados ajudam a expandir a imaginação da criança e fomentam o jogo simbólico (o faz de conta). É o tipo de material que a criança naturalmente tem interesse, justamente por despertar nela o que ela tem de mais valioso: A CRIATIVIDADE!

Como você seleciona o material a ser trabalhado?

Depende muito da proposta, mas brinquedos de madeira são, com certeza, os meus preferidos para compor atividades! Já temos no Brasil várias pequenas empresas/ateliês que confeccionam brinquedos desse tipo e com madeira ecológica. A @bebrinque é uma delas. Também sou apaixonada por água, terra, pedras, grãos, cereais e sementes. São materiais universais, acessíveis e muito sensoriais.

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A Educação Infantil, em nosso país, ainda é muito marcada por um ensino formal. Os professores carecem de material e, muitas vezes, não têm mais do que atividades impressas para oferecer a seus alunos. É como se a educação só se pudesse dar através do preenchimento de fichas e mais fichas. Como um professor que se vê sem recursos em sua sala de aula, poderia oferecer materiais que, de fato, provoquem o assombro na criança e a desafiem a buscar novos conhecimentos? Que materiais poderiam trazer para a sala de aula? E como poderiam utilizá-los?

Infelizmente esse ainda é o retrato da Educação Infantil em nosso país e, na minha opinião, os pais alimentam esse sistema formal e caduco. Sendo da área, vejo a necessidade que eles têm de quantificar o aprendizado. Não enxergam a importância do aprender através do brincar e exigem que as escolas ensinem conhecimentos formais cada vez mais cedo.

Eu ministro um Workshop para professores e nas diversas escolas que já fui, com diferentes padrões sociais, vi professores sedentos por ideias que fujam do padrão/sistema. A Abordagem Reggio Emilia é o melhor exemplo para isso! Ler as ideias de Loris Malaguzzi já expande a mente de qualquer professor. Essa Abordagem surgiu em um pós-guerra e hoje é considerada um dos melhores modelos de Educação Infantil do mundo! Propor atividades com pedras, folhas, sementes ou gravetos (materiais simples e gratuitos) pode ser incrivelmente provocador para uma criança. O que o professor precisa entender é porque e como ofertar esses materiais. Sugiro como leitura “As Cem Linguagens da Criança”.

Quais os benefícios do jogo não estruturado para as crianças da Educação Infantil?

Ofertar brinquedos ou materiais não estruturados promove o brincar livre com temáticas indefinidas. O mesmo brinquedo/material ganha diferentes sentidos, pois o jogo simbólico (o faz de conta) faz parte do repertório de brincadeiras da criança. Um bloco de madeira pode virar um carro, uma casa, uma mobília, um animal ou até mesmo uma pessoa. Ofertar partes desconectadas também está nessa mesma ceara. Em inglês são conhecidas como “Loose Parts” e nada mais são que peças soltas de materiais naturais ou sintéticos (pedaços de madeira, pedras, botões, fitas, argolas, porcas de ferro…). Geralmente são reciclados e o objetivo e permitir que a criança brinque livremente, aguçando a curiosidade e expandindo a imaginação.

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Qual deve ser o papel do adulto/professor no brincar infantil?

Na minha opinião, o adulto/professor deve ser um agente promotor do brincar. Podemos criar cantinhos ou ambientes convidativos que estimulem ainda mais o desejo pelo brincar livre, desprovido de regras, gabaritos ou objetivos a serem alcançados. Nossas crianças estão nascendo em uma geração altamente competitiva e exigente. Acho que promover brincadeiras livres, com materiais diversos, é o mínimo que podemos fazer por elas. Elas devem poder escolher o que construir ou o que desmontar. Crianças devem ser protagonistas durante o brincar e os adultos/professores, expectadores.

Como os minimundos podem ajudar no desenvolvimento da criança? Que habilidades podemos trabalhar através dos minimundos?

Minimundos potencializam o aprendizado através de experiências sensoriais concretas que facilitam o processo de assimilação do mundo real. Através dessa proposta, as crianças aprendem conceitos de uma forma divertida e prática. A experiência de ler sobre animais marinhos é diferente de brincar em um minimundo cheio desses animais. Porque não unir as duas coisas? Eu vejo os minimundos como um resgate de como brincávamos antigamente, pois lembro como eu e minhas amigas criávamos pequenos cenários e passávamos horas brincando (sem réguas de desempenho).

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Agora, revele o segredo, como consegue criar minimundos tão bonitos e convidativos?

Eu acho que minha criança interior é bem aflorada! Mas eu leio e pesquiso muito, busco inspirações com outras professoras (@reggio_rita, da Austrália, é uma delas). Quando planejo um minimundo, ou qualquer outra atividade, procuro pensar na criança e no que eu quero promover naquele momento: o brincar livre, o jogo simbólico, uma provocação, uma experiência sensorial, exercício da coordenação motora fina, um novo conhecimento ou até mesmo linguagem e matemática.

Porque não fazer, paralelo ao modelo de educação que temos hoje no Brasil, atividades como as essas que falamos nessa entrevista? Eu acho que uma coisa não anula a outra e podem ser complementares. Mudar um sistema pode ser utopia, mas mudar posturas é altamente alcançável. Falo por experiência própria!

A infância não volta e ela é breve…

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Gostaria de comentar algo mais? Fique à vontade!

Obrigada pelo convite e pelo espaço nesse blog inspirador. Espero que meu conteúdo possa ajudar muitas mães e profissionais da área de educação.

Com certeza, Macela! Foi um prazer poder ler você e ter sua experiência em nosso blog. Com certeza, você é inspiração para muitos pais e profissionais que buscam sair das amarras do sistema educacional infantil e proporcionar às crianças uma experiência autêntica e única que reaviva, a cada momento, sua criatividade e imaginação. Valorizar os materiais não estruturados é, sem dúvidas, uma das melhores alternativas para manter viva a chama da curiosidade e da criatividade infantil.

Veja mais algumas imagens de algumas atividades criadas por Macela:

Visite o perfil da nossa convidada (@professora_macela_sedycias) e siga seu trabalho. Vale à pena!

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Dedicamos uma seção para abordar aspectos da pedagogia Reggio Emilia, bem como trazer propostas de atividades que favoreçam o desenvolvimento de nossas crianças.

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Atividades para crianças é uma seção da nossa web que traz um monte de atividades interessantes para trabalhar com nossos filhos. Todas elas apresentam objetivos claros para o desenvolvimento emocional, motor e intelectual da criança. Visite:

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