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Poesia de Cecília Meireles muda a quarentena de Laura

poesia de cecilia meireles 01

Esta é a quarta semana de quarentena. Não tem sido tão difícil como podíamos ter imaginado quando apenas começávamos o confinamento. Talvez porque no meio do caminho a Poesia de Cecília Meireles mudou a quarentena de Laura e isso fez com que tudo fosse mais leve e menos complicado.

Desde que foi dada a ordem de ficar em casa, preocupei-me por imaginar que resultados psicológicos poderia ter a pequena após passar tanto tempo em casa, longe dos familiares e dos amigos, sem contato real com a natureza. No início achei que estar com os pais lhe bastava. Mas, passada uma semana, em que a euforia de ter os pais só para ela começou a passar, dei-me conta de que para uma criança, por mais que se possa adaptar às situações adversas, tampouco é algo fácil. Vivendo toda essa catástrofe, pensei o que poderia contar Laura a seus filhos dentro de 30 anos, quando tudo isso seja apenas uma lembrança.

E acho que, mais ou menos com essas palavras diria:

A poesia de Cecília Meireles mudou a minha quarentena

Era março de 2020 quando o governo do país decretou a situação de alarme. Já não me lembro bem a data, mas, a partir de uma sexta-feira, já não podíamos sair mais de casa. Ficamos ali, confinados, meus pais e eu. No início achei que tudo era maravilhoso. Sabe o que é ter os pais para brincar com você todo o dia?

Nós nos divertíamos muito. Mamãe organizava um monte de brincadeiras divertidas. E papai adorava brincar comigo de mamãe e de bebê. Isso para mim parecia bastar. Antes estava na escola em tempo integral e, quando chegava à casa, pouco tempo tinha para estar com papai e mamãe. 

Lembro-me que, desde o primeiro dia, todos os vizinhos saíam nas varandas de seus apartamentos para aplaudir os profissionais de saúde. Diziam meus pais que eles lutavam bravamente para matar o Coronavírus. Eu não entendia muito bem, porque cada dia perguntava à minha mãe por que todos aplaudiam? E, ainda que não entendesse, não havia problema, pois esse era o momento em que sentia que havia pessoas ao meu redor. 

Não era o mesmo que estar no parque ou passeando pela beira da praia, onde sempre havia muita gente. Mas, todos os dias, quando ouvia as primeiras palmas saía correndo como louca pelo apartamento. Queria ser mais uma entre todos os meus vizinhos a aplaudir e fazer uma festa. 

Mas, pouco depois, sentia um vazio. As palmas não demoravam mais de 5 minutos. Em seguida todos entravam para suas casas e o silêncio voltava. Tinha que esperar até o próximo dia às 20h para voltar a sentir que não estávamos em uma ilha.

atividades para entreter 04

Quase duas semanas após o início da quarentena, deitada na cama da mamãe, recostada minha cabeça sobre seu ombro direito, ouvia como me recitava uma poesia de Cecília Meireles: “A flor Amarela“, do livro “Ou Isto ou aquilo” Gostei tanto da flor amarela que Arabela regava em sua varanda, que pedi à mamãe que recitasse de novo. 

Mamãe, então, teve a ideia de que, ao acordar da minha soneca, fizesse uma linda flor amarela. Foi assim como preparou todo o material. Naquela tarde ensolarada, fiz uma bonita flor amarela. O dia estava tão lindo que, ao terminar, saí de novo na varanda. Dei-me conta de que Laia, a vizinha da casa debaixo também brincava na varanda. Corri para contar à mamãe que ainda não eram 20h e Laia estava na varanda. 

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Acho que aquele momento foi mágico. Custou-me coragem para falar com ela no início. Estava eufórica e envergonhada. Queria falar, mas não saíam as palavras. Falei com a mamãe que queria lhe mostrar a minha flor amarela. Ela pegou minha flor, amarrou uma cordinha e, pelo vão da varanda, um pequeno espaço entre o cristal e o chão por onde desci a minha flor amarela até a varanda da Laia. 

A partir daquele dia minha quarentena mudou. A poesia de Cecília Meireles mudou a minha quarentena. Laia passou a ser minha amiga. Ela era menor do que eu. Tinha um ano a menos e ainda não falava muito bem. Mas, através daquele vão, tornei-me a menina do pijama do Rei Leão, como bem dizia mamãe. E digo que qualquer semelhança com o livro “O menino do pijama listrado” não era mera coincidência.

A partir daquele dia, cada tarde, nos víamos pelo vão da minha varanda. Eu a chamava ou ela a mim. E, naquele momento, tudo se iluminava. Não estávamos sozinhas. Uma acompanhava a outra naquele momento tão difícil. Cada tarde, mamãe amarrava a cordinha em um dos desenhos que havia feito e eu o descia para que Laia o visse. 

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Era algo mágico. Não sei explicar bem o que acontecia ali. Antes íamos ao parque, mas por ser mais nova que eu, ainda não conseguíamos brincar juntas. Mas, a quarentena nos aproximou. Eu era feliz porque sentia que meus desenhos faziam feliz aquela menininha. E sei que Laia também o era. 

E por onde anda Laia? Na realidade, não sei. A vida dá muitas voltas e nos perdemos em um desses caminhos. O único que levo daquela experiência é que a poesia de Cecília Meireles mudou minha quarentena e segue presente na minha vida até hoje.

Laura

A flor amarela

Suponho que você tenha curiosidade por ler essa poesia curta de Cecília Meireles. Compartilho com vocês o link para ver a atividade que fizemos em casa com Laura que mudou sua quarentena.

De toda essa experiência, posso lhes afirmar que deveríamos ler poesias para nossas crianças todos os dias. A poesia transforma a vida de uma pessoa. Permite ver a vida com mais lirismo, com mais leveza, com mais beleza.

Deixo, ainda, a indicação do livro “Ou isto ou aquilo“, de Cecília Meireles. Vale muito a pena ter. As poesias encantam crianças e adultos e as ilustrações são maravilhosas. E também o livro “O menino do pijama listrado“, de John Boyne e Augusto Pacheco Calil.

E, ainda, disponibilizo um link com poemas de Cecília Meireles que já publicamos em nosso blog:

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