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Quantas crianças ainda morrerão em nome da educação?

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Com o coração encolhido assistimos à notícia da morte da menina Emanuelly, torturada por seus pais. Choramos por Emanuelly. Choramos pelas inúmeras crianças que sofrem maus-tratos em seus próprios lares. Ao saber de sua morte, abracei minha filha muito forte. Não consigo imaginar meu mundo sem minha pequena flor. Fixo a mirada nela e me pergunto como um pai ou uma mãe pode fazer mal a um ser tão nobre e tão inocente.

Emanuelly era apenas uma menina. Merecia viver a vida, correr, brincar, se divertir, rir, chorar… mas jamais o que lhe aconteceu. E menos vindo daqueles que deveriam protegê-la, amá-la e respeitá-la.

Tem que bater para educar

A avó que presenciou um dos momentos de tortura, ao tentar frear a agressão contra Emanuelly, recebeu a resposta de seus pais: “tem que bater para educar”.

Emanuelly morreu, mas não em nome da educação. Pai e mãe não podem bater nos filhos. Se o fazem, não é porque querem educar. Apenas demonstram que vivem uma constante situação de desequilíbrio, pois, por ignorância mesmo, não conseguem encontrar outros recursos para resolver o problema.

Muito provavelmente, os pais que batem foram crianças feridas, que apanharam de seus pais. Logo, apenas reproduzem o modelo violento que vivenciaram no passado. Infelizmente, muitos ainda acreditam que ‘bater educa’. Insistem no argumento: “fui criado assim e sou um homem de bem”. 

Fui criado assim e sou um homem de bem

Aqueles que por “sorte” não se tornaram sujeitos violentos, apresentam marcas emocionais profundas. E, por se considerarem “homens de bem” tendem a ver com naturalidade a crueldade de bater em uma criança. Talvez esses homens de bem não se dão conta de que sofrem várias patologias, tais como ansiedade e estresse, muitos são medicados para poder dormir, outros padecem depressão, neurose, desertos afetivos. Muitos veem suas vidas em frequente sucessão de acidentes emocionais. E, por certo, porque foram criados assim, há muitos homens de bem incapazes de encontrar solução para os seus problemas que não seja a violência.

Emanuelly morreu, mas não em nome da educação. Morreu por desumanidade de seus pais. A menina já carregava em si a marca do abandono, ao ter sido deixada pela mãe ao nascer. Carregava em si a marca do desprezo de seus pais. Carregava em si a marca das frustrações de seus pais que nela descontavam toda sua fúria. Tornou-se mais uma vítima da violência. Incapaz de alçar a voz e gritar ao mundo seu sofrimento. Talvez porque nunca lhe ensinaram a reconhecer e expressar suas emoções.

Precisamos mudar radicalmente nossa compreensão de educação. No lugar de apoiar pais que batem em nome da educação, deveríamos apoiar a vítima, a criança que não pode se defender da força de um adulto. Muitos de nós, acreditando que maus-tratos físicos ou psicológicos em nome da educação formam sujeitos de bem, nos tornamos cúmplices passivos da violência. Com nosso silêncio, reforçamos essa cultura da violência, permitindo que se perpetue ao longo do tempo.

Nós dizemos NÃO a qualquer forma de agressão contra a criança. Como afirmou Mirko Badiale, filósofo e escritor italiano, “Sobre cada criança deveria ser colocado um cartaz que dissesse: Tratar com cuidado. Contém sonhos.“. Uma criança que morre a causa de violência em seu próprio lar é um mundo de sonhos a serem conquistados que se acaba.

Apostamos por um mundo de paz.

Educação Infantil

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