Como é difícil doar brinquedos. Isso é coisa de pais!

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Já estamos em fevereiro e, em nossa casa, ainda estamos abrindo presentes de Natal. Laura vivenciou, com consciência, sua primeira noite natalina. Divertiu-se muito abrindo cada um dos presentes deixados pelo Papai Noel.

Pela lógica, novos presentes chegam… outros deveriam sair. Ouvimos continuamente pais reclamarem de que os filhos ganham tantos brinquedos. Também se queixam de que já não tem onde colocar mais brinquedo em casa. Minha irmã outro dia dizia à sua filha: ” quantos brinquedos! Teremos que ver que brinquedos doar, porque já não há mais espaço em casa.” A pequena fez cara de tristeza, mas disse que tudo bem.

Por que é tão difícil doar os brinquedos ?

A resposta é clara. Um brinquedo é um simples objeto enquanto está em exposição nas lojas. Quando chega a nossa casa, traz uma carga emocional muito grande para nossas vidas. “Laura, esta é a sua primeira boneca. Foi a vovó quem te deu.” Pronto! Como doar está boneca?! Pode ser que não seja a preferida de Laura. Ainda é muito pequena para ter um boneca preferida. Mas, claro, eu como mãe, já atribui um valor sentimental ao objeto.

E assim andamos: esse foi do tio, esse da tia, esse da madrinha… É algo mesmo como Toy Story. Até os 17 anos, o menino Andy conserva seus brinquedos preferidos. Como vai à universidade, sua mãe decide que deve doá-los. Ele faz uma triagem, mas decide que devem todos ficar guardados em um saco. No entanto, por um equívoco, todos vão parar em uma creche. A partir daí se desenvolve toda a história.

A dificuldade do menino aos 17 anos, é o nosso de pais quando as crianças são pequenas e ainda não conseguem realizar uma triagem detalhada do que deve ou não ser descartados. isso porque impregnamos os brinquedos dos nossos pequenos com significados sentimentais.

É fato. Em nossos lares, podem ter “alma”. Uma boneca ganha o nome, um carrinho se torna o mais veloz de todos, um jogo é o mais divertido. Esse foi dado por alguém querido, aquele foi trazido de não sei que cidade, esse outro foi feito à mão por não sei quer, aquele outro custou caríssimo… Podem ser inúmeras as atribuições que podemos dar a cada um dos brinquedos para evitar o descarte.

Isso é coisa de pais

Cada vez mais percebo que a dificuldade do descarte está em nós mesmos. Atribuímos a falta de desapego à criança. Queremos acreditar que ela adora o brinquedo e não quer se desfazer dele. Mas, na realidade, somos nós pais que, muitas vezes, definimos o que está ou não apto para a adoção. Para isso temos em conta o valor sentimental e a funcionalidade do brinquedo.

A criança tem ideia de pertenência. Na maioria das vezes, não quer doar porque tem a ideia de que o brinquedo é seu e não deve pertencer a outra criança. Esse desapego só pode ser trabalhado na criança se nós pais trabalhamos isso em nós mesmos.

Só mais um exemplo. Em se tratando de possibilidades de uso, o primeiro brinquedo que Laura ganhou da minha sogra era uma meia bola da Fisher Price para favorecer o engatinhar. Minha filha engatinhou, nunca se interessou pelo brinquedo. Começou a andar, mantive o brinquedo em casa. Também possibilitava o desenvolvimento motor, ao apertar uma alavanca. Laura não utilizou para engatinhar, mas essa função ainda não tinha aprendido. Pois bem, treinou a habilidade com outros jogos e objetos. A meia bola, continua em seu quarto. Lembremos: foi o primeiro presente da avó paterna.

É preciso praticar o desapego

Para ter a casa organizada e ensinar a nossos filhos a serem ordenados, é preciso que nós pais pratiquemos o desapego. Eu estou esperando a que Laura complete os 20 meses, para que, junto a ela, façamos a primeira triagem dos brinquedos. Já mostrarei pra vocês o momento. Não apenas é importante doar, mas acredito que é fundamental que a criança participe de todo or processo. Ela deve ajudar a escolher os brinquedos para a doação. Deve também ser agente e participar do ato em si, de dar os brinquedos a outras crianças.

Eu prometo a vocês que a meia bola da sogra será doada. E que outros brinquedos irão juntos. Tentaremos deixar de lado o valor sentimental, e centrar o descarte na funcionalidade do brinquedo na atual e futuras etapas do desenvolvimento da nossa filha.

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