Por que você deve bater em seu filho? Veja 8 motivos!

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Se tivermos em conta como fomos educados e como nós pais educamos nossos filhos hoje, nos daremos conta de que muitas coisas melhoraram. Ainda sim, e infelizmente, muitas pessoas continuam acreditando que tanto o castigo físico (palmadas) como a agressão verbal (gritos, insultos e humilhações) devem fazer parte da educação das crianças. Essa é uma crença de que esses recursos agressivos são relevantes para mostrar sua autoridade como pais. Veja 8 motivos para bater em seu filho ou continuar batendo nele.

1) Bater não é espancar

Crença: Bater é dar umas boas palmadas. Espancar é outra coisa, pode deixar a criança roxa e até matar.

Realidade: Bater é uma forma menos agressiva de dar umas boas pancadas em alguém. Espancar é bater e mais. A diferença é a intensidade das pancadas. Dar palmadas, chineladas, varadas, espancar são formas de violência contra a criança.

2) Bater não mata

Crença: Meus pais me batiam e eu continuo vivo. Não mata ninguém. Apenas ajuda a formar o caráter do sujeito, evitando que apanhe da vida.

Realidade: Se você não morreu, sinta-se um sobrevivente. Bater em seu filho não mata, mas sim educa para a perpetuação da cultura da violência. Uma palmada bem dada, no momento “certo”, NÃO EDUCA. Por que você não morreu e chegou até aqui, nem se tornou um marginal é aceitável bater em uma criança? Não, ninguém merece ser agredido fisicamente. Nem você, nem seu filho. Lembre-se de que você não deveria ser um sobrevivente, deveria ser apenas um ser humano mais.

3) Bato porque fui criado assim

Crença: Sou agradecido a meus pais por terem me criado assim. Se não fossem as surras e palmadas, hoje poderia não ser um homem de bem.

Realidade: Nós pais somos exemplo para nossos filhos. Você apenas reproduz o exemplo que seus pais lhe deram. Repense seu papel de pai e de mãe. Ao usar de violência física ou psicológica, ensinamos a nossos filhos que a humilhação e a violência são meios de chegar aonde se quer. É essa conduta que queremos que nossos filhos perpetuem em seus filhos?

4) Quem apanha não cresce revoltado

Crença: Apanhei e sou um homem de bem.

Realidade: Crianças educadas em um entorno violento podem acreditar que a violência é a única maneira de solucionar os problemas. Dessa forma, aprendem que a agressão física ou verbal são modos de tratar os demais. A violência prejudica sua saúde física e emocional, seu desenvolvimento cognitivo, sua autoestima e debilita e dificulta as relações que estabelece com outras pessoas.

Portanto, você pode ser um homem de bem, mas pode ser que sofra de autoestima, cultive o medo, sinta-se culpado sempre mesmo quando não a tem… Os prejuízos da violência nas crianças vão muito além do que uma marca ou uma cicatriz física. Os danos emocionais podem ser determinantes na vida adulta.

5) Bater é corrigir no momento

Crença: Ao bater, mostro à criança que teve uma má conduta e que não deve repeti-la.

Realidade: A violência física corrige a curto prazo. De fato, e já provado em inúmeras pesquisas, a criança não aprende ao apanhar. Isso porque não compreende o erro e não tem a oportunidade de aprender a fazer diferente. Quem bate não explica o motivo de estar batendo. É por isso que você já terá observado que, por mais que bata na criança, ela continua repetindo a mesma conduta. Logo, bater pode corrigir no momento, mas não há nenhuma certeza de transformação do comportamento da criança.

Aliás, uma coisa é certa. A violência ajuda a colocar freio no mau comportamento da criança porque gera medo. O que corrige o comportamento da criança é a repetição. É preciso ter paciência e ser firme. Lembrar, diariamente, as crianças sobre as regras e limites. Explicar-lhes por que seu comportamento é inadequado. Fazer-lhe saber como deveria se comportar.

6) O mundo está violento porque já não se pode bater em filho

Crença: Como nos tiraram o direito de bater nos nossos filhos, ameaçando-nos com punição através da lei, não se pode nem educá-los e ensiná-los o correto.

Realidade: O mundo está violento porque normalizamos a violência dentro de nossas próprias casas. Não falamos de sentimentos e emoções. Lembre-se, bater no filho não é um direito nosso de pais. Educar não é submeter, mas sim “acompanhar, guiar, conter, empatizar, compreender, perdoar, oferecer alternativas, fazer autocrítica, negociar e escutar e, sobretudo, ser exemplo e modelo do que queremos que façam ou sejam nossos filhos”, afirmou Olga Carmona. Aos nos propormos à maternidade e à paternidade, nos comprometemos com o novo ser gerado, para amá-lo, incondicionalmente, protegê-lo e respeitá-lo.

7) Não bater é criar criança mimada

Crença: Criança chata e mimada é falta de ter recebido um bom corretivo. Em outras palavras, não bater é sinônimo de consentir e mimar a criança.

Realidade: Não bater não é um sinônimo de não colocar limites. O caso é que muitos pais vão de um extremo a outro. Ou consentem deliberadamente, ou batem sem freio. Colocar limites faz parte da criação, mas esses podem ser estabelecidos desde o respeito, o amor e o apego, sem gritos nem ameaças. É possível estabelecer limites com empatia.

8) A lei Menino Bernardo é absurda

Crença: A lei Menino Bernardo impõe um modo de criação diverso do que eu acredito. Quem melhor do que eu, como pai ou como mãe, pode dizer qual o melhor modo de corrigir os erros dos meus filhos?

Realidade: O Brasil é um dos 59 países do mundo que pune a violência física com base na lei. Esse é um avanço, certamente. No entanto, falta muito para que a lei possa ser um instrumento de proteção para a criança. Ainda está muito generalizado o castigo físico e psicológico em nosso país. É preciso uma mudança radical no modo de ver a criação, respeitando o menor por ser um ser ainda em aprendizagem. Dando o suporte adequado para o seu desenvolvimento físico e psicológico.

Então, por que você NÃO deve bater em seu filho?

Sabemos que o título da nossa publicação seja um pouco apelativo. Especialmente porque, se você chegou até aqui, compreendeu que nosso objetivo é fazê-lo, como pai e mãe, perceber como a violência física e psicológica pode causar uma série de danos ao desenvolvimento de nossos filhos. Além disso, como isso, a longo prazo, cria um ambiente social doente e violento.

Em pesquisa divulgada pela UNICEF, 7 de cada 10 crianças são vítimas de violência em suas próprias casas. A criança é a vítima do maltrato e não devemos fazê-la sentir-se culpada por coisas que ainda está aprendendo. Ela não fará o “certo” porque apanhe. Ela fará o “certo” depois que você repetir muitas vezes como deve fazê-lo.

Vejamos a alguns exemplos?

“Não faça com os demais o que não gostaria que fizessem com você”.

Certamente você já falou esse pensamento. Ninguém aqui gosta de apanhar, não é mesmo? Então porque nos parece normal que uma criança apanhe?

Você não vai por aí batendo em todo o mundo porque não fazem o que deseja. Então porque lhe parece tão normal bater em seu filho porque não faz os deveres, não recolhe os brinquedos ou briga com o irmão?

Achamos absurdo quando um homem bate em uma mulher. Hoje tanto recriminamos pessoas que maltratam animais. Criticamos pessoas que batem em homossexuais por preconceito. Então, por que é tão normal bater em uma criança?

Quando o amiguinho do seu filho faz uma birra em sua casa. Como você resolve a situação? Aposto que conversa com ele, mostra-lhe opções, tenta acolhê-lo da melhor forma para que passe o mau momento. Por que se o mesmo é com seu filho você resolve com a palmada?

Por que somos capazes de solucionar o problema com o filho do vizinho desde o carinho, a compreensão, o diálogo e o respeito, mas não somos capazes de fazer o mesmo com nosso filho?

Educando para a paz

Fica aqui uma reflexão, para que você mesmo possa começar a tirar as suas próprias conclusões. Para finalizar, gostaríamos de recordar o desejo de Maria Montessori de uma educação para a paz. Para ela, na nossa cultura, vivemos uma eterna guerra entre o adulto e a criança. No dia a dia, nós pais nos colocamos em posição de superioridade, deixando à criança a difícil e sofrida tarefa de satisfazer todas as nossas vontades.

Esquecemo-nos de que as crianças deveriam ser criadas para ser livres e independentes, capazes de regenerar a raça humana e a sociedade. Ao querer que se comportem como mini-adultos, impedimos que desenvolva em sua plenitude. Engessamos nossos filhos em moldes recheados de excessos de violência.

Se queremos um mundo de paz, é preciso que comecemos a educar para a paz.

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