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Poemas de Wolfgang Goethe para crianças

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Nossa infância carece de conhecimento. Quando se refere ao incentivo à leitura, quase sempre nos empenhamos em ler para nossos filhos, ou motivar que leem eles mesmos, contos de fadas e outras narrativas. Esquecemo-nos da beleza dos poemas e de como são fonte inesgotável de leitura para nossas crianças. No nosso blog, nós incentivamos a leitura de poesias. Por aqui você pode encontrar poemas de vários poetas nacionais e internacionais. Nesta publicação, trazemos poemas de Goethe para nossas crianças.

Poemas de Wolfgang Goethe para crianças

O Rei dos Elfos

Noite adentro um bom homem galopa ligeiro;
Traz o filho na sela e rasga o nevoeiro.
Com seu amor paterno ele envolve o filhinho,
Que vai salvo da queda e do frio do caminho.

– Mas que olhar assustado; no que estás pensando?
– No rei dos elfos, lá de cima me espreitando.
– Na copa dos carvalhos, de manto e coroa?
Não é nada, querido; é uma nuvem que voa!

“Garotinho bonito, não queres brincar?
Pois então vem comigo, tu vais adorar;
Eu te levo a uma praia coberta com flores,
Minha mãe tem vestidos de todas as cores”.

– Papai, então não ouves? Tenho muito medo
Do que me diz o rei dos elfos em segredo…
– Não te aflige, filhinho, o teu peito sossega:
Isso são folhas secas, que o vento carrega.

“Garotinho tão lindo, não queres partir?
Minhas filhas te esperam, pr’a te divertir.
Tenho filhas que dançam nos bailes noturnos;
Vem cantar e dançar junto a elas em turnos”!

– Papai, não vês a filha do rei lá parada
Num canto, de tocaia na curva da estrada?
Meu filhinho querido, não é nada, veja:
É só um salgueiro cinza, que o luar lampeja.

“Eu te amo, o teu rosto formoso me encanta;
Se não quiseres, vens à força – não adianta”!
– O rei dos elfos está vindo me buscar…
Ai, socorro, papai, ele quer me agarrar!

O cavalo ele apressa, e o pior ele teme,
Abraçando em seu peito o menino que geme;
Chega em casa aflito, em tremores – absorto.
Nos braços já sem força, traz o filho morto.

(Tradução: Jonathas Duarte)

A Violeta

Uma violeta crescia no campo

Inclinada sobre si e desconhecida:

Era uma linda violeta.

Aproximou-se então uma jovem pastora

Com passo leve e coração alegre,

Ela vinha só,

Cantando através do campo.

Ah! a violeta pensou, se apenas fosse

A mais bela flor da natureza,

Ah, ainda que só por um momento,

Até que a gentil rapariga me colhesse

E me apertasse contra o coração e eu morresse

Ainda que fosse, que fosse

Por um quarto de hora!

Ah! mas ah! a rapariga aproximou-se

E não prestou atenção à violeta;

Ela pisou a pobre violeta.

Ela caiu e morreu e regozijou-se ainda:

Se eu devo morrer, pelo menos eu morro

Através dela, através dela,

Aqui debaixo dos seus pés.

(Pobre violeta! Era uma linda violeta!)

O pescador

A água espumava, a água subia,
Junto dela, o pescador
Tranquilo a sua linha seguia,
De coração sem temor.
E assim sentado, assim a olhar,
Vê a onda crescer e abrir;
E sai da agitação do mar
Uma donzela a escorrer.

E ela cantou, e ela falou:
«Porque atrais a minha prole
Com a tua astúcia e o engenho teu,
Para o calor mortal do Sol?
Se fosses peixe saberias
Como no fundo se está bem,
E assim como estás mergulharias,
E salvavas-te enfim.

Não se deleita o Sol no mar,
E a Lua? É vê-los
Voltarem depois ao respirar
As ondas, bem mais belos!
Não sentes a atracção do céu,
Do húmido azul transfigurado?
E não te atrai o rosto teu
Para aqui, eterno e orvalhado?»

A água espumava, a água subia,
Já os pés lhe molhava,
Já o coração ansiava.
E ela falou, e ela cantou,
Ele não resistiu:
Atrai-o ela, ele se afundou,
E ninguém mais o viu.

* Tradução de João Barrento

O rei de Thule

Houve em Thule um rei, fiel
Até que a morte o levou;
A sua amada, ao morrer,
Taça de oiro lhe deixou.
Nada amava ele mais na vida;
Consigo sempre a trazia;
Os olhos se lhe toldavam
Sempre que dela bebia.
As cidades do seu reino
Contou, ao chegar-se a morte.
Tudo – só a taça não! –
Deixou ao herdeiro em sorte.
Com seus cavaleiros foi-se
El-rei à mesa assentar,
No salão de seus avós
Do castelo à beira-mar.
O rei velhinho bebeu
Ardor último de vida,
E atirou a taça santa
Pra a água, por despedida.
Viu-a cair, e no mar
Se embebeu e mergulhou.
Embaciou-se-lhe o olhar…
Nunca mais vinho provou.
(versão de P. Quintela)

Achado

Fui à floresta,
Em si volvido.
Na distração
Tive sentido.

No escuro eu vi
Uma flor bela,
Como olhos ternos,
Como uma estrela.

Eu fui cortá-la;
Pôs-se a falar:
“Se eu for cortada,
Não vou murchar?”

Rente às raízes
Fundo cavei,
E ao meu jardim
A transplantei.

Em lugar calmo
Pus a flor linda;
Sempre há um renovo,
Floresce ainda.

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